Condropatia patelar tem cura?

Receber o diagnóstico de condropatia patelar, também conhecida pelo termo antigo condromalácia patelar, costuma gerar preocupação. Muitos pacientes chegam ao consultório depois de realizar uma ressonância magnética e ficam assustados ao ler termos como desgaste, fissuras ou lesões da cartilagem da patela.

Uma das primeiras perguntas costuma ser: condropatia patelar tem cura?

A resposta depende do que entendemos por cura.

As alterações da cartilagem identificadas nos exames de imagem geralmente não desaparecem completamente. Entretanto, isso não significa que o paciente precisará conviver com dor ou que a lesão necessariamente continuará piorando.

Com o tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, recuperar a função do joelho e voltar às atividades físicas sem dor, além de atuar sobre fatores que podem contribuir para a sobrecarga da articulação.

O que é condropatia patelar?

A patela é o osso localizado na parte da frente do joelho. Durante movimentos como agachar, subir escadas ou levantar-se de uma cadeira, ela desliza sobre uma região do fêmur chamada tróclea.

A superfície da patela é revestida por cartilagem, que permite esse movimento com baixo atrito e ajuda a distribuir as cargas sobre a articulação.

Chamamos de condropatia patelar as alterações dessa cartilagem. Elas podem variar desde alterações mais leves até lesões mais profundas.

O termo condromalácia patelar foi muito utilizado no passado e ainda aparece com frequência em laudos de exames. Atualmente, o termo condropatia é geralmente mais adequado para descrever as alterações da cartilagem patelar.

Um ponto importante é que encontrar uma alteração da cartilagem na ressonância não significa necessariamente que ela seja a responsável pela dor.

Quais são os sintomas da condropatia patelar?

Quando provoca sintomas, a manifestação mais comum é a dor na parte da frente do joelho, chamada de dor anterior. Ela pode ser percebida ao redor da patela (dor peripatelar) ou como uma dor mais profunda, atrás da patela (dor retropatelar).

É comum que a dor apareça ou piore durante atividades que envolvem flexão do joelho sob carga, como agachar, subir e descer escadas e praticar determinados exercícios ou esportes.

Outra situação característica é o incômodo após permanecer muito tempo com o joelho dobrado, como durante uma sessão de cinema, uma viagem de carro ou um voo prolongado. Esse sintoma é tradicionalmente conhecido como “sinal do cinema”.

A dor também pode aumentar depois de períodos prolongados de atividade física.

Estalos, rangidos e crepitações podem estar presentes, mas não são suficientes para diagnosticar uma condropatia. Um joelho pode produzir esses sons sem apresentar uma lesão importante.

Por que a condropatia patelar acontece e por que dói?

A condropatia patelar é um problema multifatorial. Isso significa que diferentes fatores podem contribuir para o seu aparecimento e para os sintomas de cada paciente.

Sobrecarga, aumento muito rápido do volume de exercícios e traumas podem participar desse processo. Fraquezas ou desequilíbrios musculares, principalmente envolvendo o quadríceps e a musculatura do quadril, além de encurtamentos musculares, também podem modificar a maneira como as cargas são distribuídas no joelho.

Algumas pessoas apresentam características anatômicas que influenciam o funcionamento da articulação entre a patela e o fêmur. Entre elas estão alterações do alinhamento ou da estabilidade da patela, patela alta, maior mobilidade patelar e alterações no formato da tróclea, como a displasia troclear.

Alterações na biomecânica do quadril e do pé também podem interferir no controle do membro inferior durante os movimentos.

Problemas da articulação femoropatelar são particularmente frequentes em mulheres jovens e pessoas que praticam atividades físicas com grande frequência, como atletas e militares, embora possam ocorrer em homens e mulheres de diferentes idades.

Por isso, dois pacientes com alterações semelhantes na ressonância podem apresentar sintomas completamente diferentes. O exame físico ajuda a identificar fraquezas, encurtamentos e alterações do movimento ou do alinhamento que possam estar contribuindo para a dor.

A condropatia pode melhorar mesmo sem desaparecer na ressonância?

Sim. Esse é um dos conceitos mais importantes sobre a condropatia patelar.

Mesmo que a alteração da cartilagem continue aparecendo na ressonância, a dor pode melhorar muito ou até desaparecer.

Um paciente pode continuar apresentando condropatia no exame e, ao mesmo tempo, estar sem dor, praticando exercícios e realizando normalmente suas atividades.

Por isso, não precisamos que uma nova ressonância mostre uma cartilagem normal para considerar que o tratamento funcionou.

A evolução deve ser avaliada principalmente pela dor, força, função e capacidade de realizar as atividades desejadas.

Condropatia patelar sempre piora com o tempo?

Não.

Ter condropatia patelar não significa que a cartilagem obrigatoriamente continuará se deteriorando até o paciente desenvolver uma artrose importante.

O tratamento adequado pode ajudar a controlar os sintomas e reduzir fatores que podem contribuir para a progressão da lesão, como alterações musculares, biomecânicas e sobrecarga excessiva do joelho.

Portanto, receber esse diagnóstico não deve ser encarado como uma sentença de que o joelho ficará inevitavelmente cada vez pior.

Como é feito o tratamento da condropatia patelar?

Na maioria dos pacientes, o tratamento inicial é conservador, sem cirurgia, e a reabilitação tem papel fundamental.

A avaliação procura identificar os fatores presentes em cada paciente. Podem existir fraquezas musculares, encurtamentos, alterações biomecânicas e déficits no controle do membro inferior.

A partir disso, a fisioterapia e o fortalecimento são direcionados para esses problemas.

O fortalecimento pode envolver quadríceps, musculatura do quadril e outros grupos musculares importantes para o controle do membro inferior e para a distribuição das cargas durante as atividades.

A progressão deve ser gradual. Em vez de simplesmente proibir exercícios, buscamos encontrar cargas, exercícios e amplitudes que o paciente consiga tolerar e avançar conforme ocorre a melhora.

Não existe um único exercício que “cure a cartilagem”. A reabilitação precisa ser individualizada de acordo com os sintomas e alterações encontradas em cada paciente.

Preciso parar academia, corrida ou esporte?

Na maioria das vezes, não é necessário abandonar definitivamente essas atividades.

Durante uma fase de maior dor, pode ser necessário reduzir temporariamente determinados exercícios, cargas ou amplitudes. Isso é diferente de dizer que a pessoa nunca mais poderá agachar, correr ou praticar esporte.

Conforme a força melhora e o joelho passa a tolerar melhor as cargas, as atividades podem ser reintroduzidas progressivamente.

Ácido hialurônico ou PRP podem ajudar?

Em alguns pacientes, podemos considerar tratamentos por infiltração, principalmente quando a dor persiste ou dificulta a progressão adequada da reabilitação.

Uma das possibilidades é a viscossuplementação com ácido hialurônico. Em casos selecionados, também podemos considerar o plasma rico em plaquetas (PRP).

A indicação depende das características do paciente, da lesão encontrada e da resposta ao tratamento inicial.

É importante entender que nem o ácido hialurônico nem o PRP substituem a fisioterapia e o fortalecimento. Também não devem ser vistos como tratamentos capazes de simplesmente fazer a cartilagem lesionada voltar ao normal.

Uma situação em que podemos considerar uma infiltração é quando a intensidade da dor dificulta a própria reabilitação. O controle dos sintomas pode permitir que o paciente progrida melhor na fisioterapia e no fortalecimento.

Condropatia patelar precisa de cirurgia?

Na grande maioria dos casos, o tratamento não começa pela cirurgia.

Inicialmente, procuramos identificar e tratar os fatores relacionados aos sintomas por meio da adequação das atividades, fisioterapia e fortalecimento.

Procedimentos cirúrgicos ficam reservados para situações específicas, dependendo das características da lesão, dos sintomas, das alterações anatômicas associadas e da resposta ao tratamento conservador.

Portanto, receber um laudo de ressonância descrevendo condropatia ou condromalácia patelar não significa que será necessário operar o joelho.

Afinal, condropatia patelar tem cura?

Se considerarmos como cura o desaparecimento completo da alteração da cartilagem observada na ressonância, isso geralmente não acontece.

Mas essa não é a melhor maneira de avaliar o resultado do tratamento.

É possível apresentar uma alteração da cartilagem e não sentir dor, manter uma vida ativa e praticar exercícios normalmente.

O tratamento procura identificar os fatores que contribuem para os sintomas, recuperar força e mobilidade e permitir que o joelho volte a tolerar adequadamente as atividades.

Mais importante do que fazer uma imagem voltar ao normal é tratar o paciente e recuperar a função do joelho.

Está com dor na frente do joelho?

Se você apresenta dor ao agachar, subir ou descer escadas, praticar exercícios ou permanecer muito tempo sentado, uma avaliação pode ajudar a identificar a origem dos sintomas e os fatores que podem estar contribuindo para a dor.

Agendar consulta para avaliação do joelho.

Matheus Guesser - Doctoralia.com.br

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